Virei um lote em Petrópolis. Pedaço de chão. Sempre para alugar. Dizem que é o mercado que está difícil. Eles dizem, você sabe, os lotes vizinhos. Como aquele que começou a ser construído e agora é a lembrança do que poderia ser um prédio, o rascunho de um projeto arquitetônico. Não acredito. Neles ou na economia. Não acreditava quando era gente. Não irei acreditar agora com essa visão de túmulo abaixo e de céu em cima. Tenho certeza de que é culpa desse agente imobiliário que põe o nome na placa que me fura. Ó homem fuleiro. Acredito que mereço placa maior, com dois paus na terra. Um outdoor. Manchete e foto da internet de uma mulher feliz de terno branco, desses de nylon brilhante, com os braços cruzados anunciando a empreitada. Enquanto isso, no retângulo impresso em branco, vermelho e azul, atulhado de letra e número, quem passa vê e despercebe. Não pega o celular para ligar. Não gira a economia. Mantém a grama na terra e o ar sobre mim. Um eterno aguardo urbanístico de receber construção. Vai ver a meta é ser assim pelo sempre, até Petrópolis acabar (o que será logo, espero). Fazer do mato floresta e o que está dentro da fronteira uma área protegida.
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