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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Para me fazer requisitado.

    Eu não acho que quero viver a vida num eterno diário. Eu que comento eu e falo por mim, pra mim, designado sobre uma página minha de meu conteúdo. Contudo não sei como desviar desse ciclo. Tenho pensado sobre ser a necessidade de alguém e quanto a isso, quando mando mensagens para meus amigos, aguardando resposta, a validade deles como minha necessidade. Vocês são necessários para minha existência!, e me enche de alegria ter uma resposta. Entretanto, sou eu a necessidade de alguém? Talvez de meu pai, minha mãe, que me procuram para trocar boletos ou perguntar sobre algum grau de segurança para não caírem em golpes. A necessidade utilitarista. E talvez o que almejo – a companhia –, não seja tão diferente disso. É utilitário: para a minha felicidade. É estoico, talvez, sem grandes distinções diante de minha ignorância. Porém peço que seja diferente, neste texto de conjunções adversativas, que valha por desejar a sociedade enquanto me sinto completamente alienado dela. E então, sóbrio, em mim e sob meu solipsismo que pouco a pouco se transforma em monismo, falo de mim, na primeira pessoa, esperando por alguém que se espelhe, sinta-se representado e faça de mim sua necessidade para uma conversa.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Aquele que deixou de ser construído

    Virei um lote em Petrópolis. Pedaço de chão. Sempre para alugar. Dizem que é o mercado que está difícil. Eles dizem, você sabe, os lotes vizinhos. Como aquele que começou a ser construído e agora é a lembrança do que poderia ser um prédio, o rascunho de um projeto arquitetônico. Não acredito. Neles ou na economia. Não acreditava quando era gente. Não irei acreditar agora com essa visão de túmulo abaixo e de céu em cima. Tenho certeza de que é culpa desse agente imobiliário que põe o nome na placa que me fura. Ó homem fuleiro. Acredito que mereço placa maior, com dois paus na terra. Um outdoor. Manchete e foto da internet de uma mulher feliz de terno branco, desses de nylon brilhante, com os braços cruzados anunciando a empreitada. Enquanto isso, no retângulo impresso em branco, vermelho e azul, atulhado de letra e número, quem passa vê e despercebe. Não pega o celular para ligar. Não gira a economia. Mantém a grama na terra e o ar sobre mim. Um eterno aguardo urbanístico de receber construção. Vai ver a meta é ser assim pelo sempre, até Petrópolis acabar (o que será logo, espero). Fazer do mato floresta e o que está dentro da fronteira uma área protegida.